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Gênesis 3

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De 1 a 5: A serpente, o bicho selvagem mais malandro de todos os animais do campo que Deus tinha feito disse. — Ei, Vida (Eva), o Senhor falou que vocês não podiam comer de nenhuma árvore do jardim?

—Claro que não, — respondeu Vida — Ele falou que não podemos comer só daquela que está no meio do jardim. Nem podemos tocar, se a gente comer ou tocar, morre na hora.

— Papo furado, — disse a serpente. —Claro que vocês não vão morrer. O Senhor sabe muito bem que no dia que vocês comerem dessa árvore, vão deixar de ser inocentes e serão iguais ao Senhor, ou seja, saberão a diferença entre o bem e o mal. Por que você acha que a árvore se chama “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. Acha que é à-toa? Se fosse para matar, o nome dela seria “Árvore da Morte”, igual a outra é chamada de “Árvore da Vida.” Abre os olhos, Vida!

6 e 7: Vida correu e foi contar a novidade a Barrinho Vermelho (Adão).

—Ei, Barrinho, tenho uma novidade. Você quer deixar de ser besta?

— Ei, por você está me chamando de besta? Você também é!

— Concordo. A gente não sabe nada. Vivemos na infância eterna. Sempre vamos precisar do Papai do lado para falar tudo que é certo e errado. Você não está cansando disso? Não quer decidir por si mesmo o que é certo ou errado?

— Sei lá, sou meio preguiçoso para pensar, talvez seja mais conveniente deixar o Senhor decidir tudo.

— Bem, a decisão é sua. A gente não sabe de nada, não sabe a diferença entre o bem e o mal, então, se eu comer da árvore para adquirir conhecimento, eu não poderei ser punida já que sou inocente. Eu não posso ser punida por algo que não sei: A diferença entre o bem e o mal.

— Faz sentido — disse Adão — A gente não sabe de nada, então como vamos saber que desobedecer é errado?

— É isso aí. A gente obedece ou desobedece, mas sem saber o que é certo ou errado, então, vamos desobedecer, que diferença faz? A gente é ignorante que nem anta mesmo, igual a qualquer outro animal. É por isso que a gente fala com animais, a gente é igual a eles. Eles não sabem a diferença entre o bem e o mal e muito menos a gente. Somos duas antas infantis.

— Faz sentido mesmo, então vamos lá, pega o fruto aí e vamos comer.

Depois que comeram, notaram pela primeira vez o corpo um do outro, e Barrinho olhou para baixo, para sua saliência e disse para Vida.

— Epa, Vida, eu olho para você e meu troço cresce, acho melhor você sair da frente porque eu não sei até que tamanho esse troço vai chegar. Se ele resolver crescer rápido demais, pode furar você.

— Caramba, Barrinho, é verdade, esse troço está se agigantando, mas olha aqui, eu já tenho um buraco feito. Então, se ele crescer rápido na minha direção, eu deixo o buraco na frente, aí, pelo menos ele não vai me furar.

— Peraí, acho melhor a gente fazer algo para tapar meu bicho e seu buraco, senão essa minhoca vai entrar aí mesmo. E eu não sei se ele não vai varar do outro lado.

Ao falarem isso, os dois foram até as árvores e fizeram uma espécie de saia e sunguinha, aí, o bicho de Barrinho continuou a querer se libertar e entrar na toca, mas pelo menos o mato o prendeu um pouco, mas bastava ele olhar as protuberâncias pontudas no peito de Vida…

—Vida, é melhor você cobrir esse peito ai, senão vai furar o olho de alguém.

Aí, os dois ficaram cobertinhos, um com medo de um furar o olho do outro e o outro com medo de varar o outro.

De 8 a 19: Lá estava o Senhor, fazendo sua caminhada diária quando se tocou que algo estava errado. Não havia nada na sua frente para ele tropeçar. Não era esse tipo de erro. Como Ele era onisciente, Ele já sabia o que ia acontecer e já sabia o que tinha acontecido, Ele estava esperando isso desde que havia feito Vida, Barrinho e a serpente. Chegara o momento da segunda fase do jogo.

Barrinho e Vida ouviram os passos do Senhor e se esconderam no meio do mato. Não adiantou. O onisciente gritou — Cadê vocês?

— Eu ouvi o Senhor andando na floresta e fiquei com medo porque estou peladinho da Silva. E meu negócio fica crescendo toda hora quando eu olho para Vida.

—Quem falou para você que estava pelado? Você comeu dá árvore que eu falei para você não comer?

Até parece que o Senhor não sabia. Mas tinha que ter o drama, né? Tinha que fazer o fuzuê senão não passavam para a segunda fase. E o Senhor já estava com o saco cheio de ver os dois inocentes brincando o tempo todo. Tudo cansa, né? Haja saco.

Barrinho, como o covarde que sempre seria, já foi logo dedurando Vida.

— Perai, Senhor, eu comi, sim, mas foi Vida que meu deu para comer.

Ai, Vida não agüentou e disse — Seu dedo-duro. Por que você não assume que comeu porque quis, igual a mim? Assuma a responsabilidade pelos seus atos, bunda mole! Eu não forcei você a comer, você concordou que a gente não sabia o que era obedecer ou desobedecer, então comeu igual a mim! E a gente não sabia mesmo, só está sabendo agora.

— O que você fez? — Perguntou Deus a mulher.

— Bem, Senhor, já que Barrinho me dedurou, eu vou abrir o bico também. Mas o Senhor é onisciente, então, já sabe tudo mesmo. Mesmo que a gente não falasse nada, o Senhor ia saber mesmo. Então, lá vai, foi a serpente que me passou a perna, por isso eu comi. Ela me enganou porque na certa já tinha comigo da árvore. E ela passou a perna em mim mesmo, porque eu era inocente e burra como uma anta, mas agora eu estou por dentro do lance, então eu sei que ela queria que eu deixasse de ser criança. Vá saber por que, de qualquer forma, eu comi, sim, e dei para Barrinho porque ele pediu.

O Senhor pensou, “Puxa, Vida até que é esperta mesmo.”, mas o jogo tem que continuar.

— Serpente, por sua causa, amaldiçôo todos os animais, mas você vai ter uma maldição maior. Você vai viver se rastejando todos os seus dias, então, lá se vão suas pernas e braços. De agora em diante, você será mais baixa que bunda de sapo e vai comer pó todos os dias da sua vida. Não literalmente, claro, porque cobra não come pó, mas como vai andar com a cara perto do chão, vai comer pó mesmo.

De Vida vai surgir todos os homens e mulheres, e eles vão te odiar e te cobrir de chutes quando te ver, e você vai querer morder a canela de todo o mundo. Vai ser um tal de chute no coco, mordida na canela, e aí vamos ver quem dura mais. E seus filhos serpentes não herdarão a inteligência da árvore, então estarão na desvantagem.

Quanto a você, Vida, acabou a mamata, de agora em diante, quando você parir, vai sentir dor. Vou aumentar pacas sua dor. Você vai se contorcer toda na hora de parir.

E não fica por ai não. Você pode querer não parir já que sabe que o parto vai fazer você sentir dor, mas você será controlada pelo desejo. Você sentira um grande desejo por Barrinho e isso vai fazer com quem ele tenha domínio sobre você. Ele lhe controlará pelo seu desejo e você acabará abrindo o que interessa.

Prepare-se, pois logo, saberá.

E você, Barrinho Vermelho, acabou a vida mansa. Você era meu jardineiro, mas vivia na boa, quase não tinha nada para fazer num paraíso tropical como esse. Mas agora, já era. Esse chão todo dessa região que você habita está amaldiçoado, tudo será deserto ou similar, você terá que batalhar muito para conseguir tirar o sustento da terra. Pode se preparar para morrer de trabalhar para não morrer de fome, porque eu não vou lhe dar nada. Trabalhe, vagabundo, já era a moleza!

Eu ainda por cima vou encher plantas de espinhos, aí, se você se distrair fura as mãos. E vai ser assim de agora em diante, você vai ter que trabalhar igual condenado, perai, é condenado mesmo, bem, você vai trabalhar como um condenado que é até morrer e voltar a ser o que era. Ou seja, você é barro vivo, pois eu fiz você de barro e lhe dei vida, e vai voltar a ser barro morto.

Pronto, a segunda fase começaria agora. Barrinho e Vida não eram mais crianças, a idade adulta começava. Iam ter que constituir família e trabalhar para viver.

20: Agora, Barrinho Vermelho viu que o Senhor o inspirou a chamar sua companheira de Vida, porque afinal, agora ela daria vida a todos os que passariam a existir no futuro. Então, ela era de fato vida. Se ela não tivesse desobedecido, talvez só ficassem duas pessoas eternamente no paraíso, mas como ela desobedeceu; agora a terra seria povoada de um canto a outro. A desobediência rendera juros e correção monetária para a raça humana.

Aí, já que a vida tinha ficado dura, Deus pegou dois animais, matou, e arrancou o couro deles e fez roupas para Barrinho e Vida. Ele podia tê-los deixado com suas folhinhas, mas agora tudo os machucaria mais facilmente devido a maldição, maldição essa que foi preciso para o surgimento da humanidade. Esse havia sido o primeiro parto de Vida e a primeira dureza de Barrinho. Para se tornarem adultos e darem inicio a família humana, foi necessário deixarem a casa do Pai. Não é isso que todo mundo tem que fazer cedo ou tarde? E os filhos deixam a casa do pai quando acham que podem decidir por si mesmos o que é certo ou errado em suas vidas. Se um filho não come da árvore do conhecimento do bem e do mal, ficará na eterna infância dependendo do Pai. Sigam em frente, Barrinho e Vida. Sua vida adulta começa aqui.

20-24 O Senhor largou Vida e Barrinho no jardim e foi correndo falar com sua corte. Eles sabiam a diferença entre o bem e o mal, como o Senhor, e também tinham vida eterna, como o Senhor. O Senhor não queria que Vida e Barrinho tivessem vida eterna, pelo menos, não agora. Ele disse aos outros:

— Olhem, Barrinho e Vida são como nós agora. Eles sabem a diferença entre o bem e o mal. Mas não queremos que vivam eternamente como nós, então, vocês querubins, guardem a árvore da vida, não deixe que eles se aproximem dela de forma alguma. Levem a espada flamejante e deixem-na voando em volta da árvore para guardá-la.

E assim foi feito, e a árvore foi guardada até que Barrinho e Vida não mais pudessem ver o Éden.

Written by jmsilv

27 de fevereiro de 2009 at 2:15